Archive for agosto \16\UTC 2007

Homem é tudo igual

agosto 16, 2007

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foto de Jorge Bispo

Nas bancas esse mês, entrevista que fiz com Reynaldo Gianecchini.

Reynaldo Gianecchini tem algo de, sei lá… Vale do Rio Doce. Você lê, ou escuta o nome, e não pensa que existe um vale; e que nesse vale corre um rio; um rio que inspirou o nome doce em quem o batizou. Assim como você não pensa em um sujeito chamado Reynaldo, com ípsilon, e que o sobrenome final de seu pai era Gianecchini. Pensa em alguns predicados difundidos em larga escala pelo povo desta nação.
O Brasil não cansa de adjetivar esse nome: lindo, solteiro, ex da Marília Gabriela, pegador, vida mansa, talentoso, mau ator, sem talento, marido, sensível, alto, gay, bicurious, ator, modelo, celebridade, hétero, caso da Preta Gil, caso do filho da Marília Gabriela, caipira, fim da picada, tudo de bom, sem-sal, perfeito demais, ô, lá em casa, sou mais não sei quem. É polêmico, fato. Mas há um dado infalível, documentado em cartórios e nas estrelas: sob o signo de Escorpião, seis planetas em Libra (grifo do próprio), em 1973 nasceu na cidade de Birigüi um nenê de nome Reynaldo. E quando esse nenê fez 27 anos se tornou um famosíssimo símbolo sexual brasileiro.
Fazer o quê? Culpe o destino. Então dá uma certa pena quando o vejo posando sem vontade, todo vestido com roupas do patrocínio, cueca vermelha sobrando na calça, Emporio Armani bordado. Dá pena ao lembrar que revistas adolescentes o chamam de Rey, assim com ípsilon. Revistas femininas obcecadas por orgasmos o chamam de Giane. Dá pena de ver o povo de passagem pelo Arpoador de Ipanema acenando e berrando vez ou outra “Falou, Giane!”.
Ele reclama. Mas não se importa com o saldo. “Cada um tem o que a vida lhe reserva”, explica. Sabedoria conveniente: não dá para se culpar pelo destino. Assim, Reynaldo não pede desculpas por ser quem é. E assume o carma enquanto se prepara para a foto de capa desta edição, rubricando um contrato com cachê de seis dígitos. Seis dígitos por oito horas de trabalho, outra sessão de fotos, campanha de perfume. Sim, Reynaldo Gianecchini tem algo de Vale do Rio Doce. Uma empresa, um plano, um balanço.
Escuta: Reynaldo Gianecchini não é exatamente o Reynaldo Gianecchini. É uma vítima da sorte que reconhece ter, da fama que tritura a identidade, das mentiras que aderem ao seu nome. E da misteriosa proteção que sente desde sempre e que “fez por merecer” com muito trabalho.
Verdade. É que ele está na linha de frente da novela das sete, grava todo dia. Precisa ir à academia manter seus 34 anos na tão cobiçada forma. Estuda dança e canto para um musical que fará depois do último capítulo de Sete Pecados. Tem que cumprir tabela para divulgar a estréia de Primo Basílio, longa-metragem de que participou sob o volante de Daniel Filho. Vez ou outra agenda o tilintar de seis dígitos para uma campanha publicitária. Perde segundos, que viram minutos e horas, dando autógrafos, tirando fotos com o povo que pensa que viu uma notícia ambulante. E tem que fugir do olho público para manter alguma vida privada e sentir-se normal, um rapaz de Birigüi.
Isso em vista, parece justo que, para conseguir uma hora e 45 minutos de conversa com Reynaldo Gianecchini, tenha me custado umas 40 delas e duas idas ao Rio de Janeiro. Mas achou o tempo em uma tarde de terça-feira, em uma mesa do jardim do Instituto Moreira Salles, pertinho da sua casa. Ele fala rápido e olha pra cima, como se estivesse imaginando. É honesto para responder coisas delicadas, ainda assim pisa em ovos. É um profissional da entrevista, calejado de tanta imprensa maldosa e do interesse voraz que o Brasil tem sobre sua vida sexual.
Pode ser categórico, ou capaz de desperdiçar minutos em comentários vagos sobre dinheiro, sexo e beleza. Sabe que tudo o que diz impregna sua imagem, por isso mede palavras como quem ajusta um paletó caro, um Armani.
Ainda assim, concede à Tpm uma entrevista aberta e surpreendente o bastante para provar que Reynaldo Gianecchini, no fundo, no fundo, tem muito do Reynaldo Gianecchini.

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Esse é o texto de abertura. A entrevista você pode ler na revista Tpm que está nas bancas – ou no link abaixo, no generoso site das moças. São 10 páginas, as primeiras páginas Vermelhas que fiz para a revista. Tinha tudo para dar errado, bati e voltei no Rio, atrasei o texto em quase uma semana… mas até que deu bem certo.

http://revistatpm.uol.com.br/68/vermelhas/home.htm

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Fudeus capricha

agosto 7, 2007

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Icha, icha, icha… Juiz não gosta de bicha

agosto 7, 2007

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Para quem tem algum prazer em admirar a exuberância da estupidez humana, o arquivo que ofereço aqui é uma jóia. A sentença reproduzida do Juiz Manoel Maximiliano Junqueira Filho sobre o processo movido pelo jogador Richarlysson do São Paulo.

A maioria sabe… levantou-se há mais de mês a lebre de que ele, Richarlysson, sairia do armário em rede nacional, no Fantástico. Um dirigente do Palmeiras citou o nome dele na TV, o chamando de gay. Richarlysson processou e o juiz deu seu veredito.

Diz, basicamente, que o Palmeirense não fez nada e que se o jogador for realmente gay deveria deixar o futebol. 

Destaco trechos como:”Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas, forme seu time e inicie uma federação.”
Ou ainda: “E não se diga que essa abertura será de idêntica proporção ao que se deu quando os negros passaram a compor as equipes. Nada menos exato. Também o negro, se homossexual, deve evitar fazer parte de equipes futebolísticas de héteros. Mas o negro se desvelou-se (e em várias atividades) importantíssimo para a história do Brasil: o mais completo atacante, jamais visto, chame-se Edson Arantes do Nascimento,  e é negro.”

Bem… racista e homofóbico tem de sobra no mundo. E no judiciário não seria diferente. Agora, assinar embaixo da sentença, como representante do que a sociedade (eca) considera justo, é, pra dizer o mínimo, uma estupidez descomunal.
Sério… espia aqui o arquivo da sentença . Vale muito a pena ver até que ponto a justiça é cega. E surda, muda, entrevada, débil mental, racista, espírito de porco…