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Vacinado!

junho 26, 2007

Publicada em versão reduzida na Trip.

 

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Horas a fio, em ritmo constante, homens esfolam a mão para deschavar o Daime

 

Um sonho estranho evapora na memória quando meus olhos abrem de repente, como em um susto, cinco minutos antes das seis da manhã. Babava em cima do cobertor, e não larguei da mão direita a caneta Bic nas três horas de sono que tive naquele quarto de hotel na Paraíba. Campina Grande, para ser exato. No caderno aberto em cima da cama, as duas últimas linhas das três páginas que escrevi na madrugada eram apenas rabiscos, garranchos de quem não se conformava com o abraço de Morfeu. Uma caligrafia torta para idéias pretensiosas – as deslumbradas impressões de minha primeira experiência com Santo Daime. Setecentos litros da bebida santa haviam sido preparados na noite anterior em uma enorme cerimônia. Eu era o único jornalista presente e não dispensei o copo americano que me foi servido.

A ocasião era solene. Alex Polari, grande guru do Daime, supervisionava e controlava a fornalha. Dezenas de mulheres cantavam o Hinário de São João em loop e homens devastavam suas mãos esmagando com espécie de porretes os cipós e folhas. Todos sob a influência do chá divino, eu incluso. Não vomitei, poucos ali o fizeram.

 

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Alex Polari prepara alguns dos 700 litros de Daime

 

O efeito, nada fraco, é uma profunda, e portanto estranha, lucidez. Nas seis horas sob o efeito, concentração absoluta. Algo inédito para um resignado disléxico. E quando deitei a cabeça no hotel entendi onde estava Deus naquela bebida. A luz branca da lua que entrava pela janela era sólida. Estava presente no ar. Meu pensamento brotava ordenado, linear como um texto. E, se eu insistia em fechar os olhos, memórias vivas tomavam o escuro e tudo ficava branco. Uma intuição convicta encheu minha alma (sim, leitores, eu tenho uma): tudo vai dar certo. E despejei imagens no caderno. Só dormi depois de rezar, algo que não fazia desde a infância remota. Mas o chá sagrado foi apenas o couvert. Não há tempo nem para ler a tal verborragia. Em 30 minutos deveria estar em um sítio próximo dali para entender melhor do que se trata uma potente secreção de um anfíbio, uma tal de “Medicina do Kambô”, a vacina do sapo.

Eu estava cobrindo o Encontro para a Nova Consciência, um gigante festival ecumênico onde religiosos e esotéricos comungam informações em quatro dias de palestras e rituais ininterruptos no interior da Paraíba. Mas confesso que, como ateu não praticante, minhas mais reveladoras experiências religiosas foram com psicoativos. Por isso amarrei meu burro no grupo que foi para lá falar sobre “Plantas de Poder”, ou as maravilhas naturais sul-americanas capazes de mandar mentes aos céus. Rodrigo Grunewald, um antropólogo gente fina, foi quem me falou dessa tal vacina, tirada das costas de uma perereca que aparece nos cafundós do Acre. Ele que me deu carona ao sítio onde José Gomes, filho de um pajé da tribo katukina, iria me aplicar o tal santo remédio. “Se prepara porque o negócio é forte. Dilata todas as veias, dá um calor danado”, me prevenia. Eu estava adorando a idéia. Apesar de cardíaco precoce, nunca me senti à vontade com comprimidos de Buferin, e a promessa de que o turbilhão do veneno do sapo limpa o sangue, tira preguiça, previne câncer e regula a pressão me deixou empolgado. Sou cético, mas adoro uma solução milagrosa.

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O pajé aplica o veneno/vacina em um de seus pacientes

O método: tomei um litro inteiro de água. Tirei a camisa. O “terapeuta” chega com um pedaço de cipó fino, põe fogo na ponta até fazer brasa e queima meu ombro em sete pontos, formando uma linha reta de círculos em carne viva. Arde. Em seguida, com um canivete, passa uma pasta (a secreção do sapo) nas feridas. Não demorou dez segundos…

Minha cabeça começa a pesar e sinto como se meu crânio estivesse crescendo centímetros por segundos. Um arrepio sofrido sobe minha espinha devagar. Começo a escutar meu coração ecoar nos ouvidos, acelerado, e uma onda nauseante me derruba. Deito no chão de cimento queimado e, como se a lucidez entrasse em apnéia, pairo no limbo entre a coragem e o arrependimento. É um inferno de 40 minutos.

É esse o meu corpo? Isso é frio? Sou eu mesmo aqui? Peraí, estou falando comigo mesmo? Bruno, é assim que se sente alguém que vai morrer envenenado… Mas sossega, rapaz, que o índio ali tá rindo da sua cara. É veneno, porra, pra que isso? O corpo inteiro sente enjôo e uma tremedeira sacoleja minhas tripas. Está tudo tão quente! Que frio é esse aqui fora? Bruno, suas veias engordaram… meus olhos fervendo. Rodrigo gargalha: “Olha a boca dele”. Mordo meus lábios. Estão duros e triplicados. Impossível falar. Gemo. Em um golpe súbito viro de bruços, porque sobe pela garganta como um chafariz um vômito amarelo e pastoso. E foi assim: regurgitei mais de dez vezes, até que eram apenas contrações do aparelho digestivo ou uma pasta grossa e mais escura saindo lenta da boca.

O gosto amargo e o cheiro podre não me incomodavam especialmente. Pois agora estava fascinado com as formiguinhas que devoravam meus sucos espalhados no chão. Olha, Bruno, espia só, isso é tudo McDonald’s. Arghhh, como queima a boca esse vômito. Ouço uma voz de velha soando dentro do ouvido: “Joga o lixo fora!”. Pois não, vovó. Blerghhhh. Outro jato que respinga em minha perna e me faz rolar para perto da terra.

Em meia hora, a primeira calmaria e uma estafa completa. Acho (não tenho certeza mesmo) que dormi por uns minutos antes de vomitar pela última vez e conseguir me erguer, enquanto as pessoas por ali riam muito de minha boca de… sapo!

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As ferramentas cirúrgicas e eu com a hedionda boca de sapo após a hecatombe fisiológica

Com os lábios gigantescos e uma fome africana voltei à cidade. Bateu: uma euforia me enche completamente. Tudo mais nítido, as cores mais reais, como nos anúncios da Fuji Film. E enquanto espero meu filé à Chateaubriand no hotel, Clodovil na TV falava sobre sua saúde e que o que faltava na humanidade era, justamente, DEUS. Eu gargalho como um ébrio. E chego ao cúmulo de dançar pelo quarto ao som do Falamansa. Sozinho. Sim, bateu! E me sinto saudável como nunca. Sem hipocrisia: como nunca. Espinha ereta, ânimo e bom humor que durariam 15 dias inteiros. Foi nessas condições, com uma boca humorística e a mente acelerada, que tive que lidar pelo resto do dia com algo deveras ausente naquela terça-feira – a realidade. Não parece, eu sei, mas estava lá a trabalho.

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Em Brasília, 14 horas

junho 15, 2007

Minha primeira vez em Brasília. Reportagem publicada na Trip Especial Sono, que está nas bancas. Aqui tem mais fotos.

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Shhhh. Faz barulho não. Tá vendo como todo mundo aqui cochicha ao pé do ouvido? Tudo bem que aqui é o Parlamento, então parla. Mas parla baixo… tem gente dormindo ali no canto. Tá vendo aquele senhor barrigudo? O de brochinho no peito, de bandeira do Brasil? Tá quase roncando. Também, poxa, já é quinta-feira, são duas da tarde, hora de voltar pra casa, descansar, ver a família. Não? Quinta-feira não é dia de descanso? Talvez para você, preocupado aí com tua vida, com teu bolso. Aqui não – aqui é a casa do povo, dos eleitos que trabalham para o bem comum, para o progresso e a ordem nacional. Pensa que não cansa? Não ri, não… Pronto, acordou o homem:

“Você é jornalista”, já despertou cabreiro, vendo a câmera pronta para o clic. Sim, sou sim. O senhor é deputado? Esfrega o olho: “Não, sou não…” Conversa vai, bocejo vem, “sou articulador da frente evangélica”, diz. Ele se chama Severino de Azevedo e trabalha no Congresso de terça a quinta. Vez ou outra vai na sexta.
Mas, trabalha mesmo, Severino? Tem cargo no Congresso? Se espiga na cadeira fofa, faz silêncio, pede credenciais e emenda um interrogatório sobre a revista Trip, a pauta, a preferência espiritual da reportagem. Interrogatório encerrado: “O que quer saber mesmo?”. Qual o trabalho do senhor?. Severino responde como Cristo: por parábolas. “Repara o vento entrando aqui. O Congresso é assim – tem as pessoas, os plenários. Mas tem também o vento, a parte espiritual. Cuido da parte espiritual, evangelizo deputados. Articulo.” Mas, articula o quê, Severino? “Lobby, articulo pelos direitos humanos.”

A conversa fica mole entre o cardume de ternos e gravatas. Severino conta que era caminhoneiro e não dormia – viciado em rebite, maconha e cocaína. Arruinou-se assim, perdeu “uma fortuna”, ele jura. E graças à Assembléia de Deus hoje dorme o sono dos justos. Mesmo que ali, no café do Congresso. Ele explica que muitas ovelhas foram excomungadas de seu rebanho via CPI dos Aloprados – ou CPI do Fim do Mundo, que investigou o tráfico de ambulâncias.
A frente evangélica, formada por deputados protestantes de quase todos os partidos, sofreu um êxodo. Dos 60 parlamentares que tinham há quatro anos, só sobraram 40 na legislatura que diplomou-se em 2007. Severino descobre en passant que esta quinta em fim de expediente é quinta-feira gorda: instalação da CPI do Apagão. Naquele instante, o plenário 11 está lotando de crachás, brochinhos, holofotes, microfones… e as cobiçadas lentes da TV Câmara.

Ali ninguém dorme no ponto, não. Aqui se fala alto, se fala bonito, todo mundo sua a camisa debaixo do paletó. É o calor humano, a febre da cidadania. Oposição e situação discursam pedindo votos e os cargos principais da comissão que investigará o chamado caos aéreo: o apagão que embala o sono de brasileiros em aeroportos desde o final de 2006.
Os candidatos à presidência prometem isenção, objetividade, nada de chapa-branca, nada de caça às bruxas, provocam incompreensíveis polêmicas – como alguém discorda de discursos idênticos? Duas horas depois, Marcelo Castro, PMDB, primeira legislatura, situação, é eleito o presidente da CPI. É hora da coletiva de imprensa. Enquanto Marcelo promete ir fundo na investigação do “tráfico” (sic) aéreo, o plenário levanta vôo, encerrando o batente perto das cinco. Gustavo Fruet, candidado derrotado à presidência da câmara já tira o paletó a caminho da saída. Deputado, vai fazer o que amanhã? “Volto para o Paraná”. E hoje? “Aqui em Brasília se faz política em todo lugar, a qualquer hora.” Antes de ir, reforça: “E isso não é uma coisa ruim. É bom. É bom.”

De volta ao salão verde, enquanto Severino explica que planeja se candidatar no próximo leito, ops, pleito, topamos com um paletó bem cortado transitando. “Esse você tem que conhecer. Grande figura do Congresso. Conhece todos!”, Severino se exalta: “É o grande Severo”. Deputado, senhor Severo? “Não… alfaiate!” Severo Silva estende seu cartão e conta que trabalha de terças a quintas tirando medidas em gabinetes, arrebanhando clientes pelos corredores e cortando paletós para parlamentares – desde o tempo em que eram biônicos. Mas em horário comercial, Severo? “Claro! Estou trabalhando.” Ah…
Seu modelo mais barato sai por R$ 1.500. O mais caro, coisa de R$ 2.000. Faz uns 30 por mês. Heráclito Fortes, senador de feições batráquias, bem ativo na CPI do Mensalão, tem 150 trajes de Severo. Roberto Jefferson dispõe de 130 – o ex-deputado-tenor-dedo-de-seta precisou renovar todo o guarda-roupa depois da redução de estômago.
Severo é um alfaiate suprapartidário: veste situação e oposição pelo mesmo preço e capricho. Só se queixa do PT: “Eles não gostam de gastar dinheiro. Muito raro um petista pagar meu preço”. Severino ri, mas discorda. O evangélico gosta do PT, mais ainda de Lula. O lobista de Cristo explica seus motivos. “Eu tinha muito preconceito com Lula, mas comecei a respeitar muito quando vi que ele sempre leva a mulher nas viagens. Safado sempre deixa a mulher em casa, você entende… homem que leva a mulher pra dormir junto é de confiança.

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Sexta-feira, 11:30 da manhã

Instalada a CPI, puff!, apagão no congresso. Cinegrafistas cochilam nas poltronas rasas, uma turba de turistas idosos dos EUA adentra o Salão Verde e meia-dúzia de deputados escapam pela tangente das perguntas, também elas idênticas como carneirinhos de insones, mexendo silenciosamente os lábios justo a celulares provavelmente desligados. Nos corredores mais escurinhos dos gabinetes, apenas secretárias teclando. Quando, ora só, João Paulo Cunha passa.
Grande homem público esse JP… mesmo não-eleito, com o nome enlameado em contas de Marcos Valério, continua ali, trabalhando pelo bem comum, já que ex-presidente da Câmara tem gabinete garantido mesmo sem mandato. Acompanhado de três paletós, sem tempo para maiores declarações, adentra o gabinete luxuoso de Arlindo Chinaglia, o atual presidente do parlamento. Vamos ao Senado?
O carpete troca de verde para azul e a coisa fica mais chique. Mais granito, mais limpeza, uma maca de prontidão no corredor pronta para algum senador ameaçando o sono eterno. São seis e meia, o sol cai lá fora e apenas três homens estão vendo, na tribuna, o senador Eduardo Suplicy. O pai do Supla fala sobre…. chuta?… o Renda Mínima.
Seu pronunciamento de ninar é sobre o Iraque, a possibilidade de um programa de renda mínima por lá, e da insegurança que o impediu de palestrar em Bagdá sobre… o Renda Mínima. Saindo de lá, na quinta mesmo, pegou seu vôo para São Paulo. Ainda sob efeito do desandado controle aéreo, rodando sobre São Paulo, aguardando autorização de pouso, passando das 22 horas, sorteou para os passageiros seu livro sobre… Renda Mínima. E palestrou no microfone sobre suas idéias por 20 minutos. Alguém falou em apagão aéreo? Boa sorte, CPI.

É sexta-feira, graças a Deus, e o Congresso está em plena atividade – turística. Estudantes, mais uma turma de americanos, casais tirando fotos diante do anjo esculpido no Salão Verde e muitas cadeiras livres. Severino passa e se acomoda no café. No Senado, mostra o telão, há sessão.
Procuro o Collor de Mello, seu partido informa que “o senador não foi ao Senado na semana passada por problemas de saúde, está com conjuntivite”, veja você. Clodovil também não está, foi para Ubatuba, encontrar com suas bases banhistas e procurar soluções para outro problema de saúde, a dengue que assola o balneário.
No plenário, desce Heráclito, impecável em seu vasto terno Severo Silva. Sobe o senador Sibá Machado, PT acreano. Ele havia lido o relatório que a ONU divulgou no dia anterior sobre a catástrofe do aquecimento global e resolveu falar em nome do povo brasileiro. 

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Sibá Machado explica o movimento de rotação, translação…

Discorre sobre a imensidão do universo. Dos bilhões de galáxias e da idéia do infinito. Explica que a terra gira em torno do sol em ritmo diferente dos demais planetas. Explica a rotação e a translação e que a inclinação do eixo terrestre propicia as estações do ano. Vem o equinócio, o solstício.
Explana de modo amador sobre a composição do ar. Com um tom de homem público emenda: “Há o nitrogênio, o oxigênio e o gás carbônico. E há também o xenônio, o argônio e até o gás néon. São chamados gases nobres!”, dá um soquinho no ar enquanto lê seu discurso.
Sibá prolixa livremente sobre noções de física de almanaque, e o único senador que o assiste cochicha ao celular. Três (!) taquígrafas tratam de enfiar nos anais da casa a desconsolada fala. Para não cair em uma siesta antes do almoço, a reportagem sai à rua.

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Em Brasília, 14hs, quase ninguém na larga avenida. A vista longa de uma fileira de ministérios e os vazios do poder lindamente dispostos por Niemeyer. Uma cidade sonhada, e que parece mesmo irreal, no entanto ali de pé. Não dá pra destruir, foi cara demais. Não dá pra abandonar – é linda. Não tem como dar certo… é um curral de poderosos. E respirar o vento ardido da cidade é a prova mais democrática de que ela não deveria estar lá. Ainda assim, não importa. É como o sono: depois que veio, Brasília é irreversível. 

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Ando meio desligado

junho 4, 2007

EQ CCDB 
Equalizador CCDB, desde 72 sem defeitos. (foto: Deborah Engel)

 

Há dois meses voltei da casa de Cláudio César Dias Baptista com uma entrevista curta gravada. Curta em tempo. É que são bastante longas as idéias de CCDB. Assim como foi longo o dia em que nos encontramos. De carro: a fotógrafa da reportagem, Deborah Engel; seu marido, o músico Siri; e eu. Do Rio até Rio das Ostras, onde Cláudio mora.

Débora grávida, Siri adiando trabalho para cuidar da moça. Casal bonito, amor tranqüilo – me deu leve depressão ao comparar com meu recém finito caso. Sem delongas… umas três horas longe do aeroporto Santos Dumont  (dos poucos ídolos de CCDB).

A estrada que segue paralela ao litoral, sem vista para o mar, é a passarela de um tenso desarranjo urbano das cidades fluminenses. E uma sensação bastante preconceituosa de que a vida anda em círculos mais curtos por ali. Sem delongas… Cláudio mora em um lugar lindo, na verdade, apesar do cenário de triste civilização no caminho.

Estava ansioso, nos aguardando na laje de sua casa, todo de branco, como a casa e quase tudo dentro. Eu também ansioso, bambeando entre o orgulho vaidoso e a insegurança total. Nada de novo, no entanto. Essa é a regra toda vez que me vejo em uma pauta realmente boa, ao lado de alguém que admiro e reconheço com especial. Um fardo que carrego voluntariamente: me sentir uma besta ao me deparar com gênios. E essa sensação de estupidez vai se transformando em culpa à medida que escrevo meu saldo. Explico:

Nunca escrevo um perfil ou edito uma entrevista com a intenção de selar minha amizade com o personagem. Quase nunca penso em agradá-lo… Mas às vezes saio com minhas fitas cassetes gravadas e uma simpatia profunda, que transforma o toma-lá-dá-cá jornalístico insatisfatório demais. Dá vontade de ser amigo mesmo, jogar o relatório de lado e escrever uma carta pro sujeito, prolixando em algumas páginas o fato de que, enfim, ele é demais.

CCDB

Seu Cláudio em seu quarto, escritório, laboratório… (foto: Deborah Engel)

 

Cláudio é desses, de verdade. De cara, começa a entrevista resumindo muito lúcido suas idéias sobre o indizível. E pela falta de tempo, pela objetividade (ah, claro…), tive que poupar muitos “eu também acho!” que internamente bradei. Cláudio, com sua muito humilde “amodéstia”, vai deixando claro quais são suas prioridades na vida: entender com a alma que a vida é bem mais do que a triste civilização,  ver, tocar ou pressentir Deus, cuidar bem de sua mulher, seu filho e sua casa em Rio das Ostras, e divulgar para a humanidade sua hercúlea obra literária, o livro Géa.

Não fiz o texto para agradá-lo, mas torci para que a reportagem fizesse CCDB um pouco mais feliz. Sem delongas… O resultado publicado na revista Trip foi curto também, 3 páginas, uma e meia de texto, produzida em ritmo de  jornal, na tarde seguinte da entrevista. Merecia mais espaço e mais tempo para a costura, eu acredito, como merecia mais páginas os outros perfilados na mesma peça da revista: José Agripino (por Ronaldo Bressane e Joca Terron) e Roberto Piva por Cassiano Elek Machado e Emílio Fraia.

Já está na banca há umas três semanas, e não recebi uma só carta de leitores… exceto o mais importante deles, CCDB. Grande alívio… ele gostou muito. E tomou tempo para destrinchar meu texto em seu site. Justifica-se às vezes, discorda outras, elogia… Mas, ufa, sim, CCDB ficou um pouco mais feliz. E pelo email carinhoso que mandou, sei que se magoou com uma coisa, séria, de fato. O endereço errado de seu site publicado na Trip e na Trip OnLine.

 

O que? Não sabe quem é Cláudio César Dias Baptista? Clica abaixo. 

 

Minha reportagem:
http://revistatrip.uol.com.br/155/desplugados/01.htm

Endereço certo de CCDB: www.ccdb.gea.nom.br

Seus comentários sobre minha reportagem, AQUI.

 

Teaser…. Ainda essa semana,  entrevistão com Laerte em Fudeus.